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Em Cartaz

Atualizado em 22/03/17 11:49.


 O Olhar Vertical, Tuca Reinés

(coleção Santander)

Texto curatorial, por Agnaldo Farias

 

Nosso olhar, como nosso corpo, está submetido à gravidade. Ela limita e condiciona nossa experiência, aderindo-nos ao chão que pisamos de tal modo que um simples muro torna-se um obstáculo intransponível; uma parede de edifícios, um fator de achatamento do céu; e mesmo a majestosa e inteiriça linha de horizonte que delimita o mar ou uma planície reduz-se a um produto da tímida distância que cobre o intervalo que vai dos nossos olhos aos pés. Por tudo isso é fácil entender o gosto remoto, ancestral, de atingir os picos das montanhas. O inexcedível prazer de ver de cima. O inexcedível poder de ver de cima. Uma sensação renovada a cada torre ou prédio em que subimos até um andar alto ou, melhor ainda, ao topo, com o vento forte no rosto e a atmosfera frenética da cidade reduzida a sussurros vagos e indiscerníveis. No fundo, uma excitação similar a de um gajeiro: o marinheiro encarapitado na gávea, a cesta instalada no alto da linha vertical dos mastros, o minúsculo compartimento flutuante de onde se vê mais longe, de onde se antecipa o que está por vir.

Tuca Reinés, fotógrafo e arquiteto, como Le Corbusier – o mestre que lhe ensinou a importância do domínio de novas técnicas (“As técnicas ampliaram o campo da poesia”), um dos pioneiros a celebrar o avião como desencadeador de uma revolução do olhar –, percorreu do alto algumas das principais metrópoles e cidades médias brasileiras. Mas nosso artista não fez isso através de aviões, com suas rotas preestabelecidas, automáticas, imutáveis, com todo encanto tornado monótono pela janela pequena e embaçada separando-nos drasticamente do mundo lá fora. Tuca Reinés voou de helicóptero, o que lhe permitiu decidir as rotas a serem cumpridas, guiando-o em busca das características mais incomuns dos aglomerados urbanos visitados, percebendo-lhes as belezas, os contrastes, as delícias e as misérias sob ângulos imprevistos, produto de seu olhar, a um só tempo sensível e crítico.

Flutuando numa caixa metálica com um barulho ensurdecedor, mas amplamente envidraçada, quase toda transparente, o artista despachava-se para lá e para cá pelo céu das cidades, durante horas, fotografando diagonal e verticalmente, às custas de pedir ao piloto que inclinasse o aparelho, em ímpetos de queda livre.

Lançando seu olhar através de pontos de vista surpreendentes, Tuca Reinés revelou aspectos cruciais, fascinantes e urgentes das nossas cidades, muito distintos do conhecimento que emerge do rés do chão e que está limitado por ele.

 

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O Olhar Vertical: Tuca Reinés – fotografias da Coleção Santander Brasil

Abertura para convidados: 16 de março 2017

17 de março a 20 de abril de 2017

CCUFG - Centro Cultural UFG

Universidade Federal de Goiás

Av. Universitária, n° 1533, Setor Universitário – Goiânia, GO

Contato: (62) 3209-6251/6499

Visitação: Terça a sexta, das 8h às 12h e das 14h às 18h

Entrada gratuita

 

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