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Projeto Allegro – Concertos CCUFG/Sicoob chega à 5ª edição com recital dedicado a Almeida Prado e Chopin

Em sua primeira apresentação em Goiânia, o pianista Paulo Meirelles sobe ao palco do Centro Cultural UFG pelo Projeto Allegro – Concertos CCUFG/Sicoob. Na entrevista, o artista comenta sua trajetória internacional, a importância da democratização da música de concerto e o repertório que aproxima Almeida Prado e Frédéric Chopin.

O Centro Cultural UFG recebe, no dia 25 de julho, às 20h, o pianista Paulo Meirelles para o segundo concerto da Série 2026 do Projeto Allegro – Concertos CCUFG/Sicoob. Em sua primeira apresentação na capital goiana, o artista levará ao palco um programa que estabelece um diálogo entre a obra do compositor brasileiro Almeida Prado e as quatro Baladas de Frédéric Chopin, reunindo pesquisa musicológica, interpretação e tradição pianística em um recital de entrada gratuita.

Radicado em Paris, Paulo Meirelles desenvolve carreira internacional como solista e músico de câmara e atualmente realiza doutorado em Música e Musicologia na Sorbonne Université, dedicando sua pesquisa à obra para piano de Almeida Prado. O programa apresentado em Goiânia nasce justamente desse percurso artístico e acadêmico, aproximando dois compositores de épocas distintas por meio de suas afinidades poéticas e pianísticas.

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Segundo o pianista, o recital foi concebido para que as obras dialoguem entre si, permitindo ao público perceber novas relações entre a escrita de Chopin e a linguagem contemporânea de Almeida Prado.

"Não acredito que as quatro Baladas devam ser executadas simplesmente uma após a outra. São quatro obras independentes, cada uma com sua personalidade e seu universo expressivo. As obras de Almeida Prado cumprem exatamente esse papel, mas vão além disso: fazem surgir novas relações, novas perspectivas e colocam ainda mais em evidência aspectos da escrita de Chopin e da linguagem de Almeida Prado", explica.

Esta será a primeira visita de Paulo Meirelles a Goiânia. O pianista afirma que a oportunidade de conhecer a cidade por meio da música torna o concerto ainda mais especial e destaca a recepção recebida durante a preparação do recital.

Além da apresentação artística, Meirelles ressalta a importância de iniciativas que ampliam o acesso à música de concerto. Para ele, democratizar esse universo significa criar diferentes formas de aproximação entre o público e o repertório pianístico, sem abrir mão da qualidade artística.

"Cada público pede uma forma diferente de comunicação. Quanto mais pessoas tiverem a oportunidade de descobrir esse repertório, maiores serão as chances de continuar formando um público para concertos mais longos e programas que exigem uma escuta mais atenta", afirma.

Realizado pelo Centro Cultural UFG, com apoio do Instituto Cultural Sicoob UniCentro BR, o Projeto Allegro chega à sua quinta edição consolidado como uma das principais iniciativas de difusão da música de concerto em Goiânia, promovendo apresentações gratuitas de pianistas brasileiros de destaque e contribuindo para a formação de público e para a democratização do acesso à cultura.

ENTREVISTA

Centro Cultural: Qual a expectativa do concerto que fará no dia 25 de julho no palco do CCUFG? Já esteve na capital de Goiás em outras oportunidades? Se sim, quando e como foi?

Paulo Meirelles: Será a minha primeira vez em Goiânia, então estou muito feliz por conhecer a cidade através da música. Minha expectativa é a melhor possível. Desde os primeiros contatos, tenho sido muito bem recebido pela Consuelo Quireze Rosa, que tem sido extremamente atenciosa e carinhosa em toda a preparação do recital. Isso faz toda a diferença e aumenta ainda mais a vontade de subir ao palco e compartilhar esse programa com o público goianiense.

No seu ponto de vista qual a maior importância em democratizar o acesso a concertos de piano?

Para mim, democratizar o acesso aos concertos de piano significa pensar a música para todos os públicos. Isso passa por criar concertos para crianças, para adolescentes, para pessoas que nunca tiveram contato com a música de concerto e também por desenvolver formatos como os concertos comentados, que ajudam o público a entrar nesse universo de forma mais natural. Cada público pede uma forma diferente de comunicação, sem que isso signifique abrir mão da qualidade artística. Quanto mais pessoas tiverem a oportunidade de descobrir esse repertório, maiores serão as chances de continuar formando um público para concertos mais longos e para programas complexos que exigem uma escuta mais atenta.

Paulo, a sua carreira destaca-se pela pesquisa e divulgação da música contemporânea brasileira, com foco especial no diálogo com o repertório romântico e impressionista europeu. Conte-nos um pouco dessa trajetória artística.

Esse caminho aconteceu de forma muito natural. Sou brasileiro, moro em Paris e, nos meus concertos na Europa, sempre percebi um grande interesse do público em descobrir a música brasileira. Para mim, fazia todo sentido levar esse repertório e mostrar a riqueza da nossa produção pianística.

Ao mesmo tempo, sempre gostei de construir programas que colocassem compositores em diálogo. Atualmente desenvolvo um doutorado dedicado à obra para piano de Almeida Prado, compositor que ocupa um lugar muito importante na minha vida artística. Como é um repertório que estudo profundamente e que também gosto muito de tocar, esse diálogo com compositores como Chopin, Debussy e Ravel acaba acontecendo de maneira muito espontânea. Meu objetivo é mostrar que essas obras conversam entre si e que a música brasileira contemporânea ocupa plenamente seu lugar ao lado dos grandes clássicos do repertório.

Detalhe o repertório e como foi a escolha das obras que irá apresentar aqui em Goiânia e o que o público vai poder acessar por meio da sua arte.

Há muitos anos eu desejava reunir as quatro Baladas de Chopin em um mesmo recital. Ao mesmo tempo, durante meu trabalho de pesquisa sobre a obra de Almeida Prado, foi ficando cada vez mais evidente que essas peças poderiam dialogar de maneira muito rica.

Além das inúmeras referências de Almeida Prado à escrita pianística de Chopin — presentes, por exemplo, nos Noturnos e também nos Prelúdios, entre eles o Prelúdio nº 4, uma homenagem explícita ao compositor polonês —, havia também uma questão de construção do próprio recital. Eu não acredito que as quatro Baladas devam ser executadas simplesmente uma após a outra. São quatro obras independentes, cada uma com sua personalidade e seu universo expressivo, e acredito que elas ganham força quando existe um espaço de respiração entre elas.

As obras de Almeida Prado cumprem exatamente esse papel, mas vão além disso: elas não funcionam como um intervalo. Pelo contrário, fazem surgir novas relações, novas perspectivas e colocam ainda mais em evidência aspectos da escrita de Chopin e da linguagem de Almeida Prado. Assim, o recital se transforma em um verdadeiro diálogo entre dois compositores separados por mais de um século, mas unidos por uma mesma imaginação poética e pianística.

 

Nota: A entrevista com o pianista Paulo Meirelles foi realizada pela Amora Assessoria de Comunicação, responsável pela assessoria de imprensa do artista, e reproduzida na íntegra pelo Centro Cultural UFG para fins de divulgação do recital.