Eudóxia de Barros chega a Goiânia para mais uma apresentação ao Projeto Allegro - Concertos UFG/Sicoob
Em entrevista, a artista comenta sobre a importância do acesso gratuito à música de concerto e dá detalhes sobre o programa musical escolhido para sua apresentação.
Por: Isadora Santos
O Centro Cultural UFG recebe, no dia 17 de outubro, às 20h, a pianista Eudóxia de Barros para o segundo concerto da quinta edição do Projeto Allegro - Concertos CCUFG/SICOOB, que conta com a curadoria da Profª Consuelo Quireze Rosa.
Um dos nomes de maior trajetória na música de concerto brasileira, Eudóxia volta à Goiânia para uma apresentação marcada por um programa diversificado, com destaque para obras de artistas nacionais. Natural de São Paulo, Eudóxia de Barros possui uma carreira que atravessa mais de sete décadas, tendo uma atuação voltada especialmente para à difusão de obras brasileiras. Integrante da Academia Brasileira de Música, a artista também é cofundadora e presidente do Centro de Música Brasileira, instituição voltada para a promoção, divulgação e valorização da música erudita nacional.
Foto: Divulgação
Em sua apresentação para o Projeto Allegro, a artista trará um programa musical com obras internacionais de artistas como Muzio Clementi, Beethoven, Robert Schumann e Weber. Para a segunda parte do programa, Eudóxia trará apenas obras brasileiras, formato comum que a artista costuma explorar em seus concertos. Entre as obras nacionais escolhidas, destaca-se composições de Fernando Cupertino, Osvaldo Lacerda, Nilcéia Baroncelli, Ernesto Nazareth e Camargo Guarnieri.
“Eu costumo colocar compositores clássicos, românticos, modernos e muita música brasileira, em geral toda segunda parte é com música brasileira”, explica a artista sobre o repertório escolhido.
Em entrevista ao CCUFG, Eudóxia também ressalta a importância de promover o acesso gratuito à música de concerto. Para ela, com a democratização é possível garantir que estudantes que não possuem condições financeiras também possam ocupar esses espaços.
“Sem dúvida alguma eu acho que toda a sociedade musical deveria reservar uma cota para os estudantes, essa cota, totalmente gratuita, e não metade do preço, porque o estudante não tem condição”, afirma.
Realizado pelo Centro Cultural UFG, sob a curadoria da Profª Consuelo Quireze Rosa, com apoio do Instituto Cultural Sicoob UniCentro BR, o Projeto Allegro chega a sua quinta edição com o compromisso de aproximar o público goianiense de intérpretes de referência, além de buscar pela valorização da produção musical brasileira.
ENTREVISTA
Centro Cultural UFG: Qual é a sensação de tocar piano para distintos públicos do Brasil e do mundo?
Eudóxia de Barros: Para mim é sempre tudo igual, eu sempre procuro elaborar o programa colocando clássicos românticos modernos e muita música brasileira na segunda parte.
Apenas muda um pouco quando a gente toca fora do Brasil. Como eu tenho o costume de explicar as músicas antes, tenho de falar na língua daquele país. Isso é meio difícil, mas é sempre necessário.
Quais são as vantagens do acesso gratuito à música de concerto?
Sem dúvida alguma, eu acho que toda a sociedade musical deveria reservar uma cota para os estudantes. Essa cota, totalmente gratuita, e não metade do preço, porque o estudante não tem condição.
E eu me lembro, que no meu tempo de estudante eu frequentava demais o teatro municipal. Havia um senhor que trabalhava na bilheteria que favorecia os estudantes, aqueles iniciantes em música, que faziam questão de estar a par do movimento musical. Então toda semana ele reservava essa cota para os estudantes.
Nos fale sobre o repertório e como foi a escolha das obras que irá apresentar no CCUFG.
Eu costumo colocar compositores clássicos, românticos, modernos e muita música brasileira. Em geral toda segunda parte é com música brasileira.
Então eu inicio o programa com duas sonatinas de Clementi. Sempre tive muita vontade de apresentá-las em público, porque são adoráveis. São duas sonatinas de Clemente da Op. 36, as de número 1 e 2.
Em seguida eu faço uma peça de Beethoven, as 6 variações em Sol Maior. Depois, passo para o “Carnaval de Viena”, essa é a peça mais expressiva do programa, a mais difícil, talvez, e a mais longa. Depois, em seguida, eu toco “Convite à Dança” de Weber, que é uma peça muito conhecida. Existe uma orquestração sobre essa peça e ela era muito tocada no passado, porém hoje em dia está um pouco esquecida, mas é extremamente bonita.
Após essas obras, eu entro na segunda parte do programa, somente com músicas brasileiras. Eu apresento inicialmente uma obra de Fernando Cupertino, que é um compositor goiano, com um nome bastante expressivo na música brasileira. Em seguida, de Osvaldo Lacerda, a Brasiliana No.5, que também é uma obra expressiva.
No meu programa sempre acontece, e sem que eu queira, que eu vá colocando muitas valsas, então vai ter muitas valsas no programa. Uma delas, é essa “Convidativa”, que é de uma compositora brasileira, a Nilcéia Baroncelli. Em seguida, eu faço também Ernesto Nazareth, o Escovado, e termino com a “Dança Brasileira” de Camargo Guarnieri.
A apresentação de Eudóxia de Barros é uma oportunidade para o público goianiense acompanhar de perto o trabalho de uma das principais intérpretes da música de concerto brasileira e, ao mesmo tempo, conhecer um repertório que atravessa diferentes períodos da produção musical nacional e internacional. O concerto será realizado no dia 17 de outubro, às 20h, no Centro Cultural UFG, com entrada gratuita. A programação integra a quinta edição do Projeto Allegro – Concertos UFG/SICOOB e reforça a proposta de ampliar o acesso à música de concerto e valorizar a produção brasileira.

