Espetáculo Por cima do mar eu vim
Núcleo Coletivo 22 apresenta os espetáculos “Dançar o Tempo” e “Por Cima do Mar eu Vim” no Centro Cultural UFG
Montagens articulam dança, memória, ancestralidade e saberes afro-diaspóricos em criações cênicas que atravessam corpo, tempo e território
O Núcleo Coletivo 22 apresenta, em Goiânia, os espetáculos Dançar o Tempo e Por Cima do Mar eu Vim, obras que articulam dança, teatro, música e performance a partir de referências afro-ameríndias, ancestralidade e experiências negras diaspóricas. As montagens propõem ao público uma travessia sensível entre memória, corpo e história, reunindo narrativas que reverenciam os saberes tradicionais e os processos de construção identitária.
Em Dançar o Tempo, a artista Renata Kabilaewatala conduz um solo concebido como celebração de sua trajetória artística e acadêmica. O espetáculo toma o tempo como força central da existência — elemento que atravessa, desloca e imprime marcas sobre o corpo e a memória. A dramaturgia se constrói como um “memorial dançado”, evocando experiências vividas em espaços como o fundo de quintal, a roda, a rua e o terreiro, compreendidos como territórios de sociabilidade negra e aprendizado de saberes afro-diaspóricos.
A obra articula movimento e palavra em uma composição cênica que transforma o corpo em arquivo vivo de experiências, ancestralidades e afetos. Em diálogo com o conceito de “afrografia”, o espetáculo propõe uma escrita corporal que inscreve no espaço as marcas do tempo, anunciando a memória como gesto de permanência e projeção de futuro.
Como oferenda à divindade Tempo, cultuada no candomblé congo angola como força responsável pelas transformações e pelo movimento da existência, o trabalho reverencia também os 25 anos de trajetória do Núcleo Coletivo 22.
Já o espetáculo Por Cima do Mar eu Vim parte da travessia atlântica e das memórias da diáspora africana para construir uma narrativa cênica sobre deslocamento, resistência e reinvenção cultural. Em um território híbrido entre dança, teatro, música e performances tradicionais, a obra acompanha uma voz ancestral que atravessa a Kalunga Grande — símbolo do oceano e da passagem entre mundos — trazendo ao presente as marcas da violência colonial e da resistência negra.
A dramaturgia evoca figuras históricas e simbólicas, como Nzinga Mbandi, rainha angolana reconhecida por sua resistência ao colonialismo, e reafirma a potência das manifestações culturais negras como quilombos, batuques, terreiros, samba e capoeira enquanto tecnologias de sobrevivência, memória e liberdade.
Com forte dimensão ritual e poética, os espetáculos reafirmam o compromisso do Núcleo Coletivo 22 com pesquisas cênicas voltadas às corporeidades negras, às tradições afro-diaspóricas e às relações entre arte, memória e território.
Serviço
Espetáculo: Por Cima do Mar eu Vim
Data: 15 de maio de 2026
Horário: 20h
Duração: 60 minutos
Local: Centro Cultural UFG – Goiânia/GO
Ingressos: Gratuitos, com retirada pela plataforma Sympla.
Realização: Núcleo Coletivo 22

