João Casimiro

Som sem palavras: João Casimiro traz espetáculo instrumental ao CCUFG

O show "Música é a Palavra", solo do multi-instrumentista João Casimiro, acontece no dia 25 de maio de 2025, às 19h30, no Teatro do Centro Cultural UFG (CCUFG), com entrada gratuita. A apresentação propõe uma experiência sonora única, unindo piano e voz sem letras, explorando a música instrumental de forma sensível e expressiva.

 

Texto: Iasmin Feitosa

No dia 25 de maio de 2025, o Centro Cultural UFG (CCUFG) recebe o show "Música é a Palavra", solo do multi-instrumentista João Casimiro. Conhecido por sua trajetória como baterista e professor, João traz ao palco uma experiência sonora única, onde o piano e a voz se encontram sem a necessidade de letras. O repertório, majoritariamente composto por músicas brasileiras, inclui composições de nomes como Tânia Maria, Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal e Moacir Santos, além do jovem compositor goiano Pedro Arte. A apresentação acontece no Teatro do CCUFG, às 19h30, com entrada gratuita.

Neste espetáculo, João Casimiro explora sua afinidade com a música instrumental, incorporando influências do jazz e de artistas internacionais como o pianista armênio Tigran Hamasyan. Pela primeira vez, ele se apresenta sozinho ao piano, desafiando sua própria trajetória como instrumentista e utilizando sintetizadores para enriquecer a experiência. A proposta do show é oferecer uma comunicação musical direta e sensível, permitindo que cada espectador encontre seu próprio significado nas melodias.

João Casimiro
João Casimiro

 

ENTREVISTA

CC: O que o público pode esperar do seu show?

João Casimiro: Acho que o show traz uma experiência diferente, algo não tão comum por aqui. Ele tem uma proposta de ser cantado, mas sem ser exatamente canção, permitindo que a música fale por si só. A ideia era oferecer algo novo, uma experiência onde a palavra tem seu espaço, mas a sonoridade é o principal meio de expressão.

Você teve alguma inspiração para criar esse show?

Sim, tenho muitas inspirações, especialmente de pianistas e cantores que trabalham essa abordagem. Um dos músicos que me influenciaram é o pianista armênio Tigran Hamasyan. Embora eu não vá tocar nenhuma música dele, ele é uma referência para mim na maneira de unir piano e voz.

Na hora de montar o repertório, você se baseou nele também?

Não, o repertório seguiu outro caminho. Eu gosto de tocar música brasileira, pois acredito que nos conectamos mais quando trabalhamos com compositores do nosso país. No show, 80% das músicas são brasileiras. São 10 faixas no total, sendo 8 de compositores como Tânia Maria, Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal, Moacir Santos e o goiano Pedro Arte, um jovem compositor cuja obra me chamou a atenção. Além disso, incluí duas músicas de compositores estrangeiros, um americano e um israelense. São artistas que me inspiram, músicas que gosto e que já toco há algum tempo.

Como foi o processo de construir a melodia e a harmonia sem utilizar letras ou voz?

Minha formação como baterista influenciou muito essa construção. Na Escola de Música, sou professor de bateria e, ao longo da carreira, acompanhei muitos cantores e canções. No entanto, grande parte do meu trabalho sempre esteve ligado à música instrumental e ao jazz, que possuem menos elementos textuais. O piano é meu segundo instrumento e este é o primeiro show em que me apresento sozinho ao piano. Quis explorar essa possibilidade, unindo melodia, harmonia e ritmo de forma abstrata, permitindo interpretações únicas para cada ouvinte.

Você acredita que sua formação musical ajudou na concepção desse espetáculo?

Com certeza. Minha trajetória foi muito influenciada por músicos como Egberto Gismonti, por exemplo, que tem algumas canções com letras, mas cujo repertório é majoritariamente instrumental. Ouvi muito esse tipo de música desde cedo, o que acabou moldando minha maneira de pensar a composição e a interpretação.

Houve desafios na construção desse espetáculo?

Sim, vários. Apesar de ser baterista e ter uma boa coordenação motora, as exigências técnicas do piano são muito diferentes. Tocar e cantar ao mesmo tempo, ainda mais com um repertório desafiador, exige bastante concentração. Em alguns momentos, a voz me ajuda a dividir funções com as mãos, mas, por outro lado, também preciso me preocupar com o teclado sintetizador, que adiciona efeitos sonoros à apresentação. Coordenar tudo isso foi um grande desafio.

Já venho estudando esse repertório há algum tempo. Algumas músicas estão comigo desde o início do meu aprendizado no piano, há cerca de 20 anos. Mas, para este show especificamente, venho me dedicando intensamente há dois meses. O projeto começou a tomar forma no final do ano passado, quando o inscrevi no edital do CCUFG, em novembro.

Você pretende levar esse show para outras cidades?

Sim! Ontem mesmo vi que estão abertas as inscrições para o FICA – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental.

Qual mensagem você gostaria que o público levasse dessa experiência?

Que a música pode falar por si só. Ela se comunica de forma aberta e única com cada pessoa, atingindo o interior de cada um de maneira particular. Espero que essa experiência toque o público de alguma forma.

REPERTÓRIO DO SHOW "MÚSICA É A PALAVRA"

  • Yatra-tá – Tânia Maria

  • Maracatu – Egberto Gismonti

  • Palhaço – Egberto Gismonti

  • Kathy – Moacir Santos

  • São Jorge – Hermeto Pascoal

  • Boiada – Hermeto Pascoal

  • Sanfona – Egberto Gismonti

  • Extrospectivo – Pedro Arte

  • Ngoni Baby – Michael League e Bill Laurence

  • Gal – Shai Maestro

O repertório de João Casimiro foi selecionado com o intuito de que cada peça escolhida reflita a proposta do espetáculo, que busca transmitir emoção e profundidade exclusivamente por meio da música.