Festival Internacional de Música Instrumental reúne artistas nacionais e internacionais no CCUFG
Evento gratuito convida o público a uma imersão sensível na diversidade da música instrumental.
Por: João Bastos
Entre os dias 22 e 24 de abril, o Centro Cultural UFG abre suas portas para uma experiência dedicada à escuta, à diversidade e ao encontro entre culturas. O Festival Internacional de Música Instrumental - Plant Festival reúne artistas do Brasil e do exterior em uma programação gratuita, sempre a partir das 19h, no Teatro do CCUFG.
Mais do que uma sequência de apresentações, o festival propõe um percurso pela riqueza da música instrumental, transitando por gêneros como choro, samba, baião, maracatu e maxixe, em diálogo com o jazz. Ao explorar essas sonoridades, o evento evidencia a pluralidade da música brasileira e sua capacidade de se reinventar a partir de diferentes influências.
Um dos destaques da programação é o violinista Nicolas Krassik, que se apresenta na noite de abertura. Com uma trajetória profundamente conectada ao Brasil, o músico construiu sua identidade artística a partir do encontro com diferentes tradições musicais do país.

Foto: Victor Paris
Em entrevista ao CCUFG, Nicolas Krassik, afirma que o interesse pela música brasileira começou ainda na França, em encontros informais que despertaram sua curiosidade. “Conheci a música brasileira há mais de 30 anos e me apaixonei. Eram festas que aconteciam em Paris. Depois de um tempo, resolvi conhecer o Brasil de perto e me apaixonei em dobro”, conta. Segundo o artista, a decisão de permanecer no país foi impulsionada tanto pela música quanto pela experiência de vida: “No início, só vim para pesquisar e estudar, mas não consegui voltar para a França”.
Esse envolvimento se aprofundou rapidamente. Ao receber convites de nomes como Beth Carvalho e Marisa Monte, Krassik percebeu novas possibilidades para o seu instrumento. “Percebi que o violino podia entrar nesse universo, e isso se tornou meu objetivo e minha identidade”, afirma.
Entre as diversas influências que atravessam sua trajetória, o forró ocupa um lugar central. Presente desde os primeiros contatos com a música brasileira, o gênero ganhou ainda mais força ao longo de sua carreira. “Sempre misturei choro, samba, forró, MPB... Mas o forró ganhou destaque maior quando criei minha banda Cordestinos”, explica.
Na construção dessa sonoridade, o artista também dialoga com tradições populares brasileiras. Inspirado por mestres da rabeca, como Luiz Paixão, Krassik incorporou elementos como fraseado, articulação e balanço ao seu estilo. Ao mesmo tempo, destaca a influência da sanfona: “Acredito que fui muito influenciado pela sanfona brasileira, por mestres como Dominguinhos e Sivuca”.
Sua formação na música clássica e no jazz também se faz presente, mas de maneira orgânica. “Não penso nessa construção de forma consciente. É a minha bagagem. As coisas acontecem naturalmente, sempre com a ajuda dos músicos com quem eu toco”, afirma, destacando o papel do diálogo na construção de repertórios e arranjos.
Ao longo de sua trajetória no Brasil, o violinista acumulou encontros marcantes com grandes nomes da música. “Ter conhecido João Bosco, Beth Carvalho e Gilberto Gil, e ter tocado com eles, foram pontos muito altos da minha vida musical”, relembra. Ele também destaca parcerias com músicos como Hamilton de Holanda, Yamandu Costa e Carlos Malta como fundamentais para sua formação.
No palco, a relação com o público é parte essencial da experiência musical. “Sempre gostei dessa comunicação, ela é essencial para mim. Presto muita atenção nas reações, observo do palco. Sem essa troca, fica muito difícil”, afirma. Para o músico, o público brasileiro se destaca pelo envolvimento: “É muito comunicativo e caloroso”.
Com passagens anteriores por Goiânia, Krassik demonstra expectativa positiva para o reencontro com o público local. “Já toquei no festival de jazz de Goiânia e foi maravilhoso. Tenho certeza de que não será diferente”, comenta.
Ao refletir sobre a música instrumental, o artista destaca sua potência expressiva. “Acredito que ela dá ao público a oportunidade de fazer sua própria interpretação, sem a mediação de palavras. A música pode ir para várias direções, com muita liberdade”, diz.
Para a apresentação no CCUFG, a proposta é justamente transitar entre escuta e movimento. “Quero que o público perceba que o forró pode estar nesse lugar de escuta atenta e valorização, mas também que sinta vontade de levantar e dançar — e que faça isso”, completa.
A programação tem início na quarta-feira (22/04), com Bruno Rejan Quarteto e Nicolas Krassik. Na quinta-feira (23/04), apresentam-se Matheus Guerra Quarteto e Trio Meyer Ferreira. O encerramento, na sexta-feira (24/04), fica por conta de Larissa Ramos e Amilton Godoy Trio.
O festival reafirma o compromisso do CCUFG com a difusão cultural e o incentivo ao intercâmbio artístico. O projeto conta com apoio do Programa Goyazes de Incentivo à Cultura, do Governo de Goiás.

João Bastos é estudante de Relações Públicas na Universidade Federal de Goiás e estagiário de comunicação no Centro Cultural UFG. Atua com produção de conteúdo e cobertura de eventos culturais.
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